Sou Andressa Schmidt. Passei mais de 20 anos dentro das casas de famílias que cuidam de idosos. Aprendi mais nessas casas do que em qualquer livro ou congresso. E é a partir dessas experiências que o Método Passo Seguro foi construído.
TÍTULO 01 — O INÍCIO
Antes de entrar nas casas das famílias, passei 15 anos dentro de hospitais. UTI, enfermaria, reabilitação pós-cirúrgica — aprendi o que poucos fisioterapeutas aprendem: como funciona o corpo quando está no limite, e o que faz a diferença entre recuperar e não recuperar.
A UTI ensina humildade. Ensina a ler o paciente além do diagnóstico, a trabalhar sob pressão, a tomar decisões rápidas com base em observação clínica real. Essa vivência forma um olhar que nenhum livro substitui.
O SUS completou essa formação: a diversidade real de pacientes, condições e realidades socioeconômicas. Aprendi a adaptar, a entregar resultado dentro de qualquer realidade.
TÍTULO 02 — O IDOSO
Ao longo dos anos, percebi que a maior dor não era do paciente. Era da família.
A filha que largou a vida profissional para cuidar do pai. O filho que não sabe se está fazendo certo. A esposa que está com 70 anos cuidando do marido de 80. Todos exaustos. Todos com medo. E todos sem orientação adequada sobre o que fazer no dia a dia.
Percebi que o problema não era só clínico — era organizacional. As famílias não sabiam como cuidar. Não porque não queriam. Porque nunca ninguém ensinou.
TÍTULO 03 — O MÉTODO
Depois de anos de atendimento domiciliar, comecei a perceber padrões. As famílias que tinham mais sucesso — onde o idoso melhorava mais, onde a sobrecarga era menor — compartilhavam quatro características em comum.
Tinham um trabalho consistente de força muscular. Praticavam exercícios de equilíbrio preventivo. Mantinham a mobilidade através de atividades do dia a dia. E, principalmente, tinham a organização do cuidado — rotinas definidas, ambiente adaptado, família alinhada.
Não foi uma descoberta de um dia. Foi a sistematização de 20 anos de observação dentro das casas reais de famílias reais. E a partir disso nasceu o Método Passo Seguro.
TÍTULO 04 — RESPIRATÓRIO E SONO
Com o tempo, o atendimento domiciliar me levou para além da reabilitação funcional. Muitos dos meus pacientes idosos tinham problemas respiratórios — DPOC, insuficiência respiratória, uso de oxigênio em casa. E precisavam de reabilitação dentro do domicílio.
Paralelamente, a apneia do sono se tornou cada vez mais presente. Pacientes com diagnóstico, CPAP prescrito — mas sem orientação adequada para usar o equipamento e aderir ao tratamento. Comecei a oferecer também avaliação, adaptação e acompanhamento para uso de CPAP, além da espirometria para diagnóstico respiratório.
Curso de Extensão em Fisioterapia do Sono — especialização contínua
TÍTULO 05 — RECONHECIMENTO
Em 2023, fui premiada no COSEMS/SC pelo projeto de implantação do Centro de Reabilitação Cardiorrespiratória em Guaramirim/SC — levando reabilitação especializada para uma cidade que não tinha acesso a esse serviço pelo SUS.
Em 2025, voltei ao palco do COSEMS/SC com o projeto "Equipe Mais Cuidados: Transformando Vidas com Acompanhamento Multidisciplinar em Idosos Pós Alta Hospitalar" — o modelo de integração Hospital–UBS–Domicílio desenvolvido em Jaraguá do Sul. Novamente premiada.
Apresentação no 9º Congresso COSEMS/SC — Blumenau, março 2025
Recebendo o prêmio no 9º Congresso COSEMS/SC — 2025
XXXVIII Congresso CONASEMS — o maior evento de saúde pública do mundo, em Belo Horizonte
HISTÓRIAS QUE EU CONTO SEMPRE
Estas são as duas histórias que mais marcaram minha trajetória e que moldaram como atendo hoje.
Ela tinha 52 anos e cuidava do pai de 78 há dois anos. Sem apoio dos irmãos, sem orientação, sem descanso. O pai tinha caído três vezes nos últimos seis meses. Ela dormia mal, chorava escondida, sentia que a própria vida tinha parado.
Quando começamos o acompanhamento, ela me disse: "Eu não sei se estou fazendo certo. Nunca ninguém me ensinou."
78 anos, DPOC avançada. Usava oxigênio praticamente o dia inteiro. A família estava resignada — achava que aquilo era o estado permanente. Quando começamos a fisioterapia respiratória domiciliar, ninguém esperava grande melhora.
Em poucos meses, o cenário mudou completamente. Reduziu o tempo de uso de oxigênio. Voltou a fazer pequenas atividades. E o momento do atendimento se tornou o melhor do dia para ele.
O QUE EU ENSINO, EU VIVI
Cada orientação que dou passou pela realidade das casas que atendo há mais de 20 anos.
Não existe cuidado bom sem rotina organizada. Aprendi isso observando as famílias onde o idoso evoluía mais — e as que ficavam presas no improviso.
Tratar o idoso sem orientar a família é tratar metade do problema. Quem cuida precisa entender o que está fazendo — e por quê. Quando isso acontece, os resultados mudam.
A filha sobrecarregada não tem como cuidar bem do pai. O cuidador exausto comete erros. Por isso, olho sempre para a família como um todo — não só para o paciente.
15 anos em hospital me ensinaram a nunca subestimar um sintoma. Levo esse olhar para cada atendimento domiciliar — e é isso que permite agir antes que um problema pequeno vire uma internação.
Com orientação certa, muitas famílias conseguem reduzir quedas, dependência e até a necessidade de cuidadora. O investimento em fisioterapia domiciliar muitas vezes custa menos do que não ter.